Escola Crítica PDF Imprimir E-mail
Qua, 13 de Junho de 2012 00:00

São pensadores da Escola Crítica: F. Jamerson, Z. Bauman, P. Sibilia, E. Trivinho, P. Virilio, J. Baudrillard, M. Giullaume... eles vão apresentar, principalmente, os conceitos de "Tempo Real", "Espectralização" e "Glocalização".

 

 

Para Trivinho, cibercultura é uma condição de época. É a época que vivemos que tem a informatização como principal vetor. Para ele, tudo tende a isso. Todos os processos passam por uma tecnologia. Antes, retirávamos dinheiro no balcão, hoje, com a informatização, retiramos em um caixa eletrônico.

 

Com essa tendência, os processos ficam cada vez mais rápidos. Tudo se baseia na lógica da mais-potência, onde o topo é inalcançável. Por exemplo, a tecnologia 4G. Todos os sites hoje são feitos para funcionar rapidamente na tecnologia 3G, o que nos leva a pensar que não precisamos de uma internet mais rápida. Porém, com o lançamento do 4G, os sites serão planejados para esta nova frequência de transmissão de dados. Se quiser ser rápido, terá que migrar para a cobertura 4G. Assim, criamos um ciclo, onde a tecnologia gera uma necessidade e essa necessidade vai pedir melhor tecnologia, para gerar novamente uma outra necessidade.

 

E, assim, o topo da pirâmide é inalcançável, pois sempre surgirá novos tecnologias para tornar essa busca pela velocidade infindável. O que vamos ter abaixo do topo da pirâmide são os conectados (mais ou menos, o importante é estar conectado, pois esta é a lógica da informatização) e os desconectados (que mesmo fora da rede, não estão fora do sistema, pois querem se conectar, apenas não possuem condições para).

 

Mas, a lógica da informatização também gera uma mudança cultural muito grande. Num jogo de futebol, por exemplo, o jogador age sobre a bola. O jogador é o sujeito e a bola é o objeto. Com o capitalismo informacional, o computador passa a ser o sujeito e é ele quem vai agir sobre o ser humano. Focault vai dizer que a função desse novo modelo é “criar corpos dóceis e úteis ao sistema”.

 

Para você acessar as tecnologias, você deve seguir uma série de ordens e regras. Caso contrário, você não conseguirá o que quer. Logo, quem manda é o computador. Se não obedecermos as suas ordens, nada será feito. Estará fora do sistema, da sociedade. Mas, para estar totalmente fora do sistema, tem que ser voluntariamente, pois até mesmo o desconectado que está fora por falta de opção, é uma vítima do sistema totalitário que vive.

 

Essa aceleração, que começa com os meios de transporte, a nossa relação tempo-espaço acaba perdendo as referências e vira um “movimento sem movimento”, ou seja, cria a chamada “velocidade zero”.

 

E quanto maior for a velocidade, menos prestamos atenção no caminho ou trajeto para chegar. A comunicação em tempo real é um verdadeiro movimentar-se sem sair do lugar, sem ver/percorrer o caminho. Não temos mais um horizonte, mas sim um tempo de exposição a luz do PC.

 

Quando inventamos o trem, inventamos também o descarrilamento. Quando inventamos o navio, inventamos também o naufrágio. Com esse novo sistema, não sabemos ainda qual acidente criamos. O imediatismo talvez?