Escola Crítica: Identidade PDF Imprimir E-mail
Qua, 20 de Junho de 2012 00:00

Na pós-modernidade vamos deixar de ter um líder, que é aquela pessoa que diz “siga-me”. Também não vamos ter a figura do chefe, que dita as regras. Mas, vamos ter a presença forte dos conselheiros. Embora seja uma visão esvaziada do conceito de conselheiro, vamos ter aquela pessoa que diz “eu fiz assim, faça você também”.

 

Isso porque na pós-modernidade os problemas serão encarados como individuais. E todos vão buscar, querer consumir o mesmo produto, a felicidade, a qual ninguém sabe o que é e nem como utilizá-la (como ser feliz). Porém, vamos buscar conselhos e inventar inimigos para lutar contra e poder ser feliz.

 

Isso vai estar relacionado com o consumo. Desejamos mais e mais. É a modelização do comportamento: vivemos uma frustação de individualidade exacerbada. Podemos tudo, mas cada escolha é uma responsabilidade, nossa própria responsa. É uma eterna insegurança para dar os passos e saber como encontrar o caminho para a felicidade.

 

E é essa segurança que nos move em busca de uma comunidade. Seja para não nos sentirmos só, seja para buscar dicas de como agir. Porém, ao entrar em uma comunidade, não nos sentimos tão livres, uma vez que na pós-modernidade temos muita liberdade.

 

Porém, liberdade combina com insegurança. Pois é escolha. Na comunidade vamos buscar pessoas que fizeram a mesma escolha sobre determinado assunto. Por isso, essas comunidades são fluidas: podem acabar, mudar rapidamente, crescer...

 

Isso acontece porque hoje nossas identidades são mutáveis. Não tem tempo de cristalizar. Antigamente, uma pessoa fazia suas escolhas (ou era predestinado) a cumprir uma função, a ter um gosto. Hoje, isso não existe mais. Hoje deixamos nossas identidades e somos indivíduos (coisas mutáveis).

 

Perfil significa várias coisas, entre elas, “particularizar algo que é genérico”. Nas redes sociais, com um formulário padrão (genérico), vamos traçar a nossa identidade, vamos particularizar algo. Essa identidade é sempre uma projeção (nossos espectros). É uma escolha nossa o que vamos colocar lá. Fazemos o papel de conselheiro e queremos dar a nossa receita de sucesso. Até mesmo os perfis dark querem passar a receita do sucesso de viver uma vida mais “escura”.

 

Por isso, nas redes sociais, todo mundo é feliz. Até mesmo os perfis falsos, pois eles projetam algo. As identidades secretas não existem, pois elas só fazem sentido se os outros sabem.