Surgimento do Jornalismo Literário PDF Imprimir E-mail
Criação de Texto Jornalístico III
Escrito por Cadu Xavier   
Sex, 27 de Agosto de 2010 00:00

Muitas são as “histórias” do Jornalismo Literário. Estas são apenas algumas:

Literatura de ficção europeia e norte-americana
No século XIX com a escola do realismo social. Charles Dickens, na Inglaterra; Balzac, na França; Mark Twain, nos EUA. Os textos eram escritos com descrição minuciosa de ambientes, costumes, personagens; observação atenta para captação de informações detalhadas.

Romancistas
No século XIX e XX, alguns romancistas se aventuravam no terreno da não-ficção, como Dostoiévski, na Rússia; José Martí, em Cuba; Euclides da Cunha, no Brasil. Boris Schnaiderman (crítico literário) classifica alguns escritos desses autores como “literatura do fato real”: aproveitamento de fatos do cotidiano para composição de narrativas ficcionais.

Edvaldo Pereira Lima
“A via mais direta de influência (da literatura sobre o jornalismo) aconteceu através de escritores que praticaram também o jornalismo”. A partir dessa influência, as gerações seguintes de jornalistas passaram a usar recursos literários de captação, redação e edição. Exemplo: John Reed (“México Rebelde” e “10 Dias que Abalaram o Mundo”).

Iniciativas pontuais até a década de 1920
Não havia a prática do Jornalismo Literário nas redações. As produções saíam basicamente na forma de livro-reportagem. Nas décadas de 1920/30, com o surgimento da revista New Yorker (1925): perfis elaborados com técnicas literárias. Novo formato abre espaço para reportagens no estilo do JL na mídia impressa (diária, semanal, quinzenal, mensal). Nas décadas seguintes, a New Yorker lança autores como Joseph Mitchell, Truman Capote, Norman Mailer e Lilian Ross. O marco: edição de agosto de 1946 da New Yorker: inteiramente dedicada ao livro Hiroshima, de John Hersey (publicado um ano após a explosão da bomba atômica na cidade japonesa). Nos EUA, outras revistas (ex.:  Esquire) e jornais (ex.: New York Times) abrem brechas para o JL a partir da década de 1950.

O movimento da “contracultura”
Na década de 1960 e 1970: reação ao conservadorismo, à Guerra Fria, à Guerra do Vietnã... e o reflexo na produção jornalística.

O Novo Jornalismo, de Tom Wolfe
Surge dentro da onda da contracultura. Era preciso contestar os modelos jornalísticos vigentes até então. O movimento é consolidado em 1975, com a publicação do livro (O Novo Jornalismo), e começa a ser difundido com a obra do próprio Wolfe e de autores como Gay Talese e Hunter Thompson. Principalmente a partir da década de 1980, o “Novo Jornalismo” sofre críticas de setores conservadores da mídia: trata-se de fato ou ficção? O movimento perde força. Mas o JL continua vivo, tanto em algumas publicações, como a própria New Yorker, quanto nos livros-reportagem.

O Jornalismo Literário fora dos EUA
Brasil: revista Realidade (1966 a 1976), que privilegiava as grandes reportagens, entrevistas e perfis em profundidade; revista O Cruzeiro (1928 – 1975), que se aproxima do JL; Jornal da Tarde (1966); imprensa alternativa (Pasquim, Versus...). América Latina: Gabriel García Márquez e seu legado jornalístico; criação, em 1994, da Fundación para um Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI), escola de jornalismo que desenvolve estudos sobre jornalismo não-convencional.

 


Nas décadas de 1980/90 começa o declínio parcial do Jornalismo Literário. As grandes recessões e a (re)adaptação dos modelos dos veículos impressos aos padrões norte-americanos. Século 21: Busca de alternativas que garantam a sobrevivência da mídia impressa: Jornalismo Literário é uma das possíveis soluções?

Nomes aos bois: o Novo Jornalismo, tal qual definido por Tom Wolfe, faz parte do Jornalismo Literário. Mas Jornalismo Literário não é a mesma coisa que Novo Jornalismo.

Novas denominações: as críticas forçaram uma mudança de termos. O JL também é chamado de literatura da realidade, literatura de não-ficção (termo mais antigo), jornalismo narrativo (ou de narração), não-ficção criativa... Todas as expressões fazem (ou deveriam fazer) referência ao mesmo estilo.

 

Diário Mackenzista

Cadu Xavier

Um jornalista Mackenzista!


Sou natural de Assis/SP, onde
estudei do Ensino Básico ao
Ensino Médio. Em 2006, fui
morar em Loppiano, na Itália,
pelo Movimento do Focolares.

Em 2007, fui morar em São Paulo
para estudar Comunicação Social,
na Universidade Presbiteriana
Mackenzie, onde, em 2011,
me formei Jornalista!