O livro-reportagem PDF Imprimir E-mail
Criação de Texto Jornalístico III
Escrito por Cadu Xavier   
Sex, 01 de Outubro de 2010 00:00

A conceituação de livro-reportagem exige uma reflexão prévia sobre o espaço da reportagem no jornalismo contemporâneo e na trajetória histórica do jornalismo enquanto discurso próprio. O primeiro momento a ser ressaltado é o que marca o surgimento de um discurso jornalístico mais elaborado e aprofundado. Esse distanciamento da notícia enquanto texto direto e, muitas vezes, superficial é apresentado por Edvaldo Pereira Lima em seu livro “Páginas Ampliadas”.

“A reportagem começa a e esboçar definitivamente no jornalismo, atrelada a um novo veículo de comunicação periódica criado nos anos 1920, e a uma nova categoria de prática da informação jornalística, que tem seus primeiros passos definidos também nessa época: a revista semanal de informação geral e o jornalismo interpretativo”.

O autor relaciona o surgimento da reportagem ao lançamento de periódicos – em especial a revista Time, cuja primeira edição chegou às bancas em 1923 – que privilegiavam um tratamento diferenciado e analítico dos fatos do noticiário. A partir do espaço aberto por essas publicações, outros veículos passaram a explorar o nicho do jornalismo interpretativo.

O que esse subgênero lança como possibilidade é a exploração do fato em toda a sua potencialidade, amplificando a notícia para que os elementos que a constituem possam ser compreendidos, analisados e interpretados antes de se oferecer o texto ao leitor.

Edvaldo P. Lima pontua a reflexão: o jornalismo interpretativo, na sua visão, “busca não deixar a audiência desprovida de meios para compreender o seu tempo, as causas e origens dos fenômenos que presencia, suas conseqüências no futuro. Vai fundamentar sua leitura da realidade na elucidação dos aspectos que em princípio não estão muito claros. Almeja preencher os vazios informativos (...)”.

Conceito-chave: “vazios informativos” (lacunas do texto noticioso que podem ser preenchidas por elementos da reportagem e do livro-reportagem). Alguns aspectos desse preenchimento:
- o contexto do fato nuclear;
- os antecedentes;
- o suporte especializado (ex: entrevistas com especialistas);
- a projeção (para construir cenários possíveis);
- o perfil, ou humanização do relato.

A produção do livro-reportagem
Todas as características (anteriores e a seguir) servem para diferenciar a reportagem do relato jornalístico noticioso. E essa conceituação é útil para que possamos apresentar o livro-reportagem enquanto produção textual relativamente autônoma – no sentido de que não prevê uma aproximação direta com outras produções literárias organizadas em forma de livro.

Esse distanciamento de outras formas narrativas é  o  resultado de três condições essenciais no que se refere à produção do livro-reportagem:
- Quanto ao conteúdo, o objeto de abordagem do livro-reportagem é o fato;
- Quanto ao tratamento, o livro-reportagem é construído com ferramentas jornalísticas, não só no que diz respeito à linguagem (organizada em torno de estruturas compreensíveis), mas também à forma (uso de títulos, subtítulos, intertítulos, ilustrações, chamadas etc.);
- Quanto à função, o livro pode ser informativo, opinativo, interpretativo, investigativo (ou de denúncia), e de entretenimento (ou diversional).

 

Diário Mackenzista

Cadu Xavier

Um jornalista Mackenzista!


Sou natural de Assis/SP, onde
estudei do Ensino Básico ao
Ensino Médio. Em 2006, fui
morar em Loppiano, na Itália,
pelo Movimento do Focolares.

Em 2007, fui morar em São Paulo
para estudar Comunicação Social,
na Universidade Presbiteriana
Mackenzie, onde, em 2011,
me formei Jornalista!